terça-feira, 16 de abril de 2013

Universidades espanholas - Como funciona a UIB (Parte 1)

Oi, hoje estou aqui para falar sobre um assunto mais interessante para vocês que estarão vindo em breve fazer intercâmbio numa universidade espanhola. Tudo o que falarei aqui é referente à universidade onde estudo na Espanha, mas acredito que o sistema seja semelhante nas outras universidades do país ou, pelo menos, semelhante no mesmo curso das outras universidades.

Em aspectos mais gerais, o sistema universitário aqui funciona assim:

1 - Você vai na aula quando e se quiser.
É isso mesmo, aqui você não é obrigado a ir nas aulas. A presença em 75% das atividades não é um critério de aprovação em nenhuma disciplina. Só existem 3 tipos de atividades que você não pode faltar de forma alguma: seminários, talleres y aulas práticas. Mas, de verdade, não aconselho ninguém a faltar. Confesso que por preguiça, mais de uma vez, já faltei uma aula. Me senti perdendo o controle da vida acadêmica inteira.  Elas são realmente importantes aqui, pois os professores falam coisas que você vai precisar para fazer a prova. Apenas estudar pelo material que eles disponibilizam não é suficiente para tirar uma boa nota nas provas.

2 - A carga horária presencial deles é bem menor que a nossa no Brasil.
Sim, bem menor! Eles esperam que você estude em casa por um tempo equivalente ao que você passa na sala de aula todo dia. O que acaba não acontecendo. E não falo apenas de mim, a maioria dos alunos da minha turma começaram a estudar para as provas do semestre passado bem depois de eu ter começado.




3 - Dificilmente você terá três ou quatro provas de uma mesma disciplina por semestre.
Isso é algo que eu adoro e detesto daqui. Adoro porque, de certa forma, você passa o semestre praticamente inteiro bem tranquilo. E odeio porque quando chega no final de semestre ficam acumulados todos os assuntos da disciplina para uma única prova e a quantidade de matéria para estudar é monstruosa. O que deveria acontecer é ir estudando a matéria das disciplinas ao longo do período para, quando chegar a época de prova, dar apenas uma revisada e não ficar tão aperreada.

4 - Trabalhos aqui são definidos como seminários e talleres.
Ainda hoje não consegui diferenciar um do outro. Para mim são ambos a mesma coisa. O importante a destacar sobre eles é que seminários aqui são algo completamente diferente do Brasil. Nada daquilo de estudar um conteúdo e fazer um slide para ficar na frente da turma tremendo feito vara verde enquanto fala. 
Seminários e talleres são atividades de debate e discussão de um conteúdo. Uma espécie de GD do Brasil, mas ainda assim em outro formato. Geralmente nos é dado um artigo ou um caso clínico para lermos em casa e, ás vezes, responder algumas perguntas. Na sala de aula, discutiremos o assunto do artigo ou as questões do caso clínico. Dependendo do professor, ele pode fazer todas as pessoas falarem ou apenas um membro dos grupos de discussão que são formados. 
Outras vezes, você não precisa fazer nada antes da atividade, basta estar presente no dia. O professor explica um assunto, a sala é dividida em grupos, o assunto é debatido e um trabalho de grupo é passado para casa. Casos clínicos na maioria das vezes. 
Há ainda aqueles seminários onde você tem que preparar e levar o trabalho já pronto no dia da atividade presencial, e a discussão vai ser em cima do trabalho já feito.

5 - Existem tutorias com os professores sempre que você quiser desde que esteja no horário do professor.
Isso é algo que acho muito legal aqui. Os professores, todos eles, têm um horário por semana que é dedicado exclusivamente a isso. Eles sempre vão estar em sua sala naquele horário e se você precisar é só ir lá e falar com eles sobre o que quer que seja, relacionado à universidade, claro. Orientações sobre trabalhos, explicações de assuntos de alguma aula que você precisou faltar e etc. Normalmente, você é aconselhado a falar com o professor e marcar sua tutoria, pois, de repente, ele pode ter outro aluno programado para o dia em que você aparecer para vê-lo.

6 - As aulas.
Quase 100% das minhas aulas são por vídeo conferência. Exceto seminários e talleres. Bem, eu não assisto aulas por vídeo, na verdade, o professor está sempre presente na minha sala. Mas, essa aula que eu assisto presencialmente, os alunos das ilhas vizinhas assistem por videoconferência. Isso implica dizer que eu estou sempre sendo filmada e que todo mundo sempre tem que falar no microfone. Desde que eu nunca precise falar, isso está ótimo para mim. As aulas são muito mais dinâmicas que as aulas que eu tinha no Brasil, mesmo que o método ainda seja aquele dos slides com o professor explicando. A interação com os alunos acontece de uma forma diferente, que não sei explicar, mas torna a sala inteira mais incitada a perguntar e a contestar qualquer coisa sobre o assunto que seja. Somos postos completamente à vontade para falar e, às vezes, levamos a aula quase toda discutindo um assunto que um aluno expôs sobre o conteúdo. Perguntas são postas nos slides como uma espécie de teste, casos clínicos e etc. Isso também acontece no Brasil, mas, talvez devido ao professores e alunos, isso aqui realmente funciona de uma maneira positiva.

7 - O alunos.
Famintos. Não sei o que acontece com eles, mas para resumir bem o que eu quero que vocês entendam sobre os alunos daqui, basta dizer que: eles quase não conversam, prestam atenção na aula inteira, anotam tudo o que tem nos slides (mesmo que a professora disponibilize tudo depois) e o mais assustador de tudo, eles gravam a aula! 
Algo que me chama atenção neles aqui também é o quanto eles têm e expõem seu pensamento crítico durante as aulas. Não todos, claro, mas muitos deles são realmente muito críticos e empenhados em relação a tudo. 
Entretanto, essa característica deles nem sempre se mostra espelhada nos seus resultados acadêmicos. Não consigo entender como alguns alunos que na sala de aula são tão bons, podem tirar notas baixas.





8 - Avaliações - a média é 5.
Por último, por ser o ponto mais extenso a ser tratado... Eu também achei absurdo no começo, mas depois que eu explicar a forma de avaliação deles aqui, você não vai achar tão fácil. Como disse em um tópico anterior, só são feitas uma ou duas avaliações de cada disciplina. Geralmente, as provas valem 50% da nota e os trabalhos valem os outros 50%. Daí você pensa consigo mesmo: "Ah, vai ser moleza! Se só os trabalhos já valem a média, eu posso fazer bem os trabalhos e tirar uma nota qualquer na prova só pra complementar." Ledo engano. Os trabalhos valem sim 50% da nota, mas se você não fizer metade da prova, seus pontos dos trabalhos são simplesmente ignorados. Querem um exemplo? Eu fiz uma disciplina período passado e fiz apenas 3,5 de 10 pontos da prova (não me condenem, eu fui muito bem nas outras disciplinas). Então, eu precisava tirar 5,0 de 10 da prova para que os prontos dos trabalhos fossem acrescentados a minha nota final. O meu 5,0 na prova me garantiria um 2,5 na média final e seria essa média a que teria o acréscimo das notas do trabalho, que no meu caso foram 3 e alguma coisa. Se eu tivesse feito a metade da prova, teria tirado 2,5 + 3,5 = 6 e sido aprovada na disciplina. Como só fiz 35% da prova, fiquei com 3,5 na disciplina e agora vou ter que fazer prova final. 
Outra coisa importante a mencionar, se a disciplina tiver duas provas no semestre e você não conseguir acertar metade de qualquer uma das provas, você já está de prova final para repor aquela nota. As notas de provas não são somatórias para conseguir os 50%. Supomos que você tem duas provas, cada uma valendo 3 pontos na média final da disciplina. É necessário fazer 5 de 10 (valor de cada prova individualmente) pontos na primeira e 5 de 10 pontos na segunda. Ou seja, 1,5 de 3 (valor de cada prova na média final da disciplina) pontos da primeira prova e 1,5 de 3 pontos na segunda. Nada de fazer 1 ponto de 3 na primeira e 2 pontos de 3 na segunda prova. Deu pra vocês entenderem? 
No meu caso, por ser intercambista, poderei fazer a prova final antes de voltar para o Brasil, mas os alunos daqui só farão as provas finais no final do verão, em setembro, antes de começarem as aulas do ano seguinte de curso. O que significa que eles teriam que estudar durante as férias e já começariam o ano cansados.
Uma coisinha mais, todas as provas, após saírem os resultados, têm um dia marcado para reunião dos alunos e professores para revisar as questões e suas respostas corretas.


Para os possíveis estudantes de enfermagem
O estilo das provas varia de curso para curso e de disciplina para disciplina. Mas para o caso de alguém por aí vir fazer enfermagem por aqui, explico um pouco de como são as minhas provas. Em geral, as provas são divididas em duas partes. Uma objetiva com no mínimo 30 questões (fiz uma com 45 e minha última teve 60) e uma subjetiva que varia no número de questões. Pode ser um caso clínico apenas com três ou quatro perguntas sobre ele ou até 5 questões de casos clínicos diferentes ou perguntas específicas do conteúdo. São duas horas de prova e você tem uma hora para responder a parte objetiva, marcando os quadradinhos numa folha, como no vestibular. Você pode deixar quantas quiser em branco e só vai perder o ponto que aquelas questões valem. Se você responder errado, entretanto, sua resposta errada vai eliminar pontos das respostas corretas. Quantas erradas eliminam uma certa vai depender do seu professor. Depois que você termina e entrega sua prova objetiva é que você pode receber e responder sua prova subjetiva. Mais uma hora para respondê-la.

Minha última prova foi uma loucura! A disciplina era Enfermería en Situaciones Complejas, envolvendo todo tipo de situações de urgência e emergência que você imaginar. Eram 60 questões de marcar e a parte de escrever nós só sabíamos que seria caso clínico. A maior preocupação era como nós conseguiríamos responder 60 questões em 60 minutos. O que nós não esperávamos era que a professora entregasse primeiro a prova subjetiva, que ela contivesse quatro questões de caso clínico e que nós teríamos apenas 15 minutos para respondê-la inteira. As quatro questões em 15 minutos!!! Depois dessa, responder 60 questões de marcar em uma hora foi fichinha. Deu tempo até revisar! Melhor preparação que essa para um vestibular, caso eu ainda fosse fazer algum, não teria. 

Saí da prova sem ter certeza se tinha ido bem, mas com o pensamento positivo, acreditava que conseguiria fazer mais da metade da prova e evitar outra final. E consegui, graças a Deus! Depois fiquei me deliciando do fato de que foi uma ideia incrível a professora fazer a prova dessa forma. Afinal, eram urgências e emergências e a gente precisaria ser rápido ao lidar com as situações caso estivéssemos no hospital. O lado legal da história a parte, foi difícil!! rsrsrs


Ufa, terminei a primeira parte sobre esse post. Espero que vocês tenham gostado e que tenha tirado um pouco suas dúvidas.

Hasta pronto o/

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