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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Universidades espanholas - Como funciona a UIB (Parte 2)

Um pouco atrasada, mas continuando o post passado sobre a universidade onde estudo. Aqui vamos nós...

Departamento onde tenho aulas, Guillem Cifre de Colonya.





Em termos de estrutura:

1 - Universidade em geral.
É bem grande! Mas acredito que seja menor que a minha universidade do Brasil. Os prédios são bem novos e possuem uma instalação bem bonita e conservada. Possui alguns bancos como o Santander, La Caixa, Sa Nostra. Tem um campo esportivo muito legal, do qual eu já falei e mostrei um pouco nesse post.


Meu departamento é inteirinho assim, todos os corredores são desse jeito, com brancos e parte das paredes em madeira.


2 - Salas de aula, o conforto que nunca mais terei numa sala de aula quando voltar para o Brasil.
As salas de aula aqui são tão absurdamente superiores que dá até vergonha comparar. Existem dois tipos de salas. Salas com mesas individuais e cadeiras acolchoadas com couro para cada aluno e salas com mesas compridas e interligadas entre si em uma espécie de auditório onde as filas de assentos ficam em níveis diferentes de altura. As cadeiras dessa última sala são dobráveis, por assim dizer, como as de auditório, mas são de madeira. 


Essa é para vocês verem mais ou menos como são as carteiras.


O que eu acho mais legal da sala aqui é o fato de que algumas delas têm janelas enormes de onde você pode ver o lado de fora do prédio. Na verdade, não apenas as salas de aula, mas alguns corredores, a lanchonete e outros ambientes. E como a paisagem que se enxerga da ilha vista da UIB é linda, se torna mais prazeroso e inspirador estudar. rsrsrs

Nessa foto, reparem nas janelas. Vemos as montanhas ao redor da ilha! E não, a sala não é escura assim! Foi a foto.






3 - A xérox dos sonhos de qualquer um.
Bem, não posso falar por todas as xérox do campus, mas posso falar pela do meu departamento e do departamento de direito. Elas são basicamente papelarias e você encontra de tudo lá. Sem contar que o sistema de impressão deles é muito mais rápido, 500 páginas em 2 minutos... 
Creio que isso era algo que deveria ter comentado ao falar da metodologia da universidade, mas não sei se isso ocorre em todos os cursos. O fato é que o material que usamos para estudar para as provas são feitos pelos professores. Eles produzem uma espécie de livro ou apostila, como queiram, e disponibilizam esse material, assim como todos os slides das aulas no sistema online da universidade (explicarei sobre o sistema da UIB no próximo post).
Então, para imprimir o que quer que seja, você deve ir na sala de informática do seu departamento, logar-se no computador com seu usuário e senha do sistema UIB e depois de logado com seu usuário qualquer documento que você quiser imprimir fica registrado na sua "conta" universitária. Então você leva a sua carteirinha de estudante na xérox, pede para imprimir e com a sua carteirinha ela tem acesso a todos os documentos que você solicitou a impressão no computador. Uma coisa linda de se ver a eficiência. 
Não é tão barato, mas vale muito a pena. E você pode também encadernar suas apostilas com todo tipo de capa e arame. 

4 - Biblioteca e sala de informática.
A biblioteca do meu departamento é bem pequena, mas existem bibliotecas em todos os departamentos, então. Nunca tive problemas para encontrar um livro que precisava. O sistema é basicamente aquele que acredito ser o mesmo em todas as universidades. Você entra no sistema online da biblioteca da universidade e procura a referência do livro nas estantes para encontrá-lo. Depois é só mostrar para a bibliotecária, que registra e desmagnetiza os livros para que você possa levá-lo. 
O prazo para ficar com um livro são 7 dias e você pode levar até 5 livros. Se passados mais 7 dias que você levou o livro e não devolveu, você receberá um aviso no seu e-mail. E ficará recebendo frequentemente até que o livro seja devolvido. Mas aqui você não paga multa nenhuma por atraso e na devolução basta colocar o livro no balcão e eles dão baixa sem lhe pedir nenhum dado. 






A sala de informática do meu departamento tem uma porção (uns 25 ou 30) de computadores novos e em ótimo estado, todos funcionando perfeitamente! Em alguns horários ela é usada para aulas, mas quando não está em uso por nenhum professor fica livre para os alunos usarem o tempo que quiserem e acessarem o site que quiserem. Sim, nada de restrições quanto às redes sociais e etc. 

5 - Alimentação no campus.
Existem lanchonetes em todos os departamentos, dentro deles. Lanchonetes de verdade, com garçons fardados e com bloquinho na mão para anotar seu pedido. Funciona como um restaurante, na verdade. Pois todos os dias existe um menu de almoço especial por um preço e alguns pratos de massas e etc. Bolos, tortas, salgados, sanduíches (bocadillos deliciosos), cafés, saladas, alguns pratos mais típicos daqui e etc. Além disso, por todo campus, você pode comprar bebidas, café, petiscos, chocolates em máquinas. 
Outra coisa interessante a ser citada, eles vendem cerveja livremente dentro do campus. Sem problema nenhum! E eu nunca vi ninguém bêbado.



Sobre os professores:

1 - Eles sabem seu nome!
É isso mesmo! Eles sabem o nome de todo mundo da sala. Pelo menos os meus professores sabem. Não se iluda em pensar que passa despercebido.

2 - Eles são acessíveis.
Fale com eles sempre e quando necessitar pois eles mostram total disponibilidade para ouvir o aluno e ajudá-lo com seus problemas. Claro que eu não posso fazer dessa uma regra geral e mesmo que eu fizesse, todo regra tem sua exceção. O que quero dizer com isso é que seus e-mail serão respondidos sempre o quanto antes, você pode marcar uma tutoria com o professor para esclarecer suas dúvidas a qualquer momento que queira e o professor esteja disponível (a disponibilidade deles aqui é amplamente maior pois eles não se metem em um milhão de projetos e trabalhos de uma vez como fazem nosso professores do Brasil).

3 - São muito mais dinâmicos.
Acho que já comentei um pouco disso no post passado, mas vou falar aqui novamente de forma resumida. Não sei exatamente o motivo e não sei como explicar, mas a forma com a qual eles ensinam e muito mais interessante e incita muito mais o aluno a discutir, a participar da aula, a desenvolver o pensamento crítico e a questionar tudo o que lhe rodeia. Eles fazem com que você vá ao fundo da sua racionalização sobre qualquer problema exposto.




4 - São muito mais compromissados e denotam muito mais interesse nos alunos.
Esse é um ponto um pouco difícil de explicar sem fazer com que pareça que os professores do Brasil não são bons professores. Posso resumir esse ponto dizendo apenas que eles se mostram bem mais preocupados com nosso aprendizado e nossa evolução profissional e pessoal. Eles não dão aula como se fosse uma obrigação, eles a dão de uma forma que te faz realmente pensar que eles estão ali para você aprender. Como eu disse, é difícil explicar. Eu me sinto assistida o tempo inteiro, todos os dias, em todas as atividades que desenvolvo. Um trabalho que eles passam não é um trabalho que eles explicam pra você como será no dia da aula e 5 dias depois você tem que entregar. Eles passam o trabalho, dizem o que será avaliado, abrem fóruns no sistema da universidade para discutir sobre ele, se dispõem a fazer tutorias para revisar o que você já fez e fazer uma correção inicial, te direcionar, e te dão prazos de até meses para entrega. Porque eles querem aquilo bem feito. Por toda essa assistência, os trabalhos também são corrigidos muito mais criteriosamente.





5 - Intimidade professor-aluno.
Os professores são amáveis, compreensíveis, engraçados, simpáticos e muito socializáveis. MAS... A relação é essa e um professor não invade a privacidade do aluno e vice-versa. Você não fica sabendo sobre a vida pessoal dele e ele não fica sabendo da sua. É simples assim... 



Queria esclarecer uma coisa sobre o que falei no post passado sobre os seminários. Aqui existem atividades como os seminários que fazemos no Brasil e eles também se chamam seminários. Só que nem todo seminário será aquele no qual você tem que estudar um assunto para apresentar na frente da sala, ele pode ser só uma atividade em grupo na sala ou outra coisa. Como disse pra vocês, ainda hoje não sei definir bem o que seriam os seminários e talleres que acontecem nas universidades daqui.

Espero que tenha ajudado a esclarecer algumas coisas. Lembrando que tudo o que disse é referente à minha universidade, ao seu sistema de ensino e aos seus professores. Qualquer diferença com outras universidades é compreensível e esperada.

Infelizmente o post ficou com poucas fotos, porque eu fico receosa em tirar fotos dos ambientes internos da universidade, andar com uma câmera fotografando tudo lá dentro e tudo o mais. Mas prometo tomar coragem qualquer dia desses, talvez na sexta, daí atualizo o post com mais fotos pra vocês terem uma noção.

Hasta pronto o/

terça-feira, 16 de abril de 2013

Universidades espanholas - Como funciona a UIB (Parte 1)

Oi, hoje estou aqui para falar sobre um assunto mais interessante para vocês que estarão vindo em breve fazer intercâmbio numa universidade espanhola. Tudo o que falarei aqui é referente à universidade onde estudo na Espanha, mas acredito que o sistema seja semelhante nas outras universidades do país ou, pelo menos, semelhante no mesmo curso das outras universidades.

Em aspectos mais gerais, o sistema universitário aqui funciona assim:

1 - Você vai na aula quando e se quiser.
É isso mesmo, aqui você não é obrigado a ir nas aulas. A presença em 75% das atividades não é um critério de aprovação em nenhuma disciplina. Só existem 3 tipos de atividades que você não pode faltar de forma alguma: seminários, talleres y aulas práticas. Mas, de verdade, não aconselho ninguém a faltar. Confesso que por preguiça, mais de uma vez, já faltei uma aula. Me senti perdendo o controle da vida acadêmica inteira.  Elas são realmente importantes aqui, pois os professores falam coisas que você vai precisar para fazer a prova. Apenas estudar pelo material que eles disponibilizam não é suficiente para tirar uma boa nota nas provas.

2 - A carga horária presencial deles é bem menor que a nossa no Brasil.
Sim, bem menor! Eles esperam que você estude em casa por um tempo equivalente ao que você passa na sala de aula todo dia. O que acaba não acontecendo. E não falo apenas de mim, a maioria dos alunos da minha turma começaram a estudar para as provas do semestre passado bem depois de eu ter começado.




3 - Dificilmente você terá três ou quatro provas de uma mesma disciplina por semestre.
Isso é algo que eu adoro e detesto daqui. Adoro porque, de certa forma, você passa o semestre praticamente inteiro bem tranquilo. E odeio porque quando chega no final de semestre ficam acumulados todos os assuntos da disciplina para uma única prova e a quantidade de matéria para estudar é monstruosa. O que deveria acontecer é ir estudando a matéria das disciplinas ao longo do período para, quando chegar a época de prova, dar apenas uma revisada e não ficar tão aperreada.

4 - Trabalhos aqui são definidos como seminários e talleres.
Ainda hoje não consegui diferenciar um do outro. Para mim são ambos a mesma coisa. O importante a destacar sobre eles é que seminários aqui são algo completamente diferente do Brasil. Nada daquilo de estudar um conteúdo e fazer um slide para ficar na frente da turma tremendo feito vara verde enquanto fala. 
Seminários e talleres são atividades de debate e discussão de um conteúdo. Uma espécie de GD do Brasil, mas ainda assim em outro formato. Geralmente nos é dado um artigo ou um caso clínico para lermos em casa e, ás vezes, responder algumas perguntas. Na sala de aula, discutiremos o assunto do artigo ou as questões do caso clínico. Dependendo do professor, ele pode fazer todas as pessoas falarem ou apenas um membro dos grupos de discussão que são formados. 
Outras vezes, você não precisa fazer nada antes da atividade, basta estar presente no dia. O professor explica um assunto, a sala é dividida em grupos, o assunto é debatido e um trabalho de grupo é passado para casa. Casos clínicos na maioria das vezes. 
Há ainda aqueles seminários onde você tem que preparar e levar o trabalho já pronto no dia da atividade presencial, e a discussão vai ser em cima do trabalho já feito.

5 - Existem tutorias com os professores sempre que você quiser desde que esteja no horário do professor.
Isso é algo que acho muito legal aqui. Os professores, todos eles, têm um horário por semana que é dedicado exclusivamente a isso. Eles sempre vão estar em sua sala naquele horário e se você precisar é só ir lá e falar com eles sobre o que quer que seja, relacionado à universidade, claro. Orientações sobre trabalhos, explicações de assuntos de alguma aula que você precisou faltar e etc. Normalmente, você é aconselhado a falar com o professor e marcar sua tutoria, pois, de repente, ele pode ter outro aluno programado para o dia em que você aparecer para vê-lo.

6 - As aulas.
Quase 100% das minhas aulas são por vídeo conferência. Exceto seminários e talleres. Bem, eu não assisto aulas por vídeo, na verdade, o professor está sempre presente na minha sala. Mas, essa aula que eu assisto presencialmente, os alunos das ilhas vizinhas assistem por videoconferência. Isso implica dizer que eu estou sempre sendo filmada e que todo mundo sempre tem que falar no microfone. Desde que eu nunca precise falar, isso está ótimo para mim. As aulas são muito mais dinâmicas que as aulas que eu tinha no Brasil, mesmo que o método ainda seja aquele dos slides com o professor explicando. A interação com os alunos acontece de uma forma diferente, que não sei explicar, mas torna a sala inteira mais incitada a perguntar e a contestar qualquer coisa sobre o assunto que seja. Somos postos completamente à vontade para falar e, às vezes, levamos a aula quase toda discutindo um assunto que um aluno expôs sobre o conteúdo. Perguntas são postas nos slides como uma espécie de teste, casos clínicos e etc. Isso também acontece no Brasil, mas, talvez devido ao professores e alunos, isso aqui realmente funciona de uma maneira positiva.

7 - O alunos.
Famintos. Não sei o que acontece com eles, mas para resumir bem o que eu quero que vocês entendam sobre os alunos daqui, basta dizer que: eles quase não conversam, prestam atenção na aula inteira, anotam tudo o que tem nos slides (mesmo que a professora disponibilize tudo depois) e o mais assustador de tudo, eles gravam a aula! 
Algo que me chama atenção neles aqui também é o quanto eles têm e expõem seu pensamento crítico durante as aulas. Não todos, claro, mas muitos deles são realmente muito críticos e empenhados em relação a tudo. 
Entretanto, essa característica deles nem sempre se mostra espelhada nos seus resultados acadêmicos. Não consigo entender como alguns alunos que na sala de aula são tão bons, podem tirar notas baixas.





8 - Avaliações - a média é 5.
Por último, por ser o ponto mais extenso a ser tratado... Eu também achei absurdo no começo, mas depois que eu explicar a forma de avaliação deles aqui, você não vai achar tão fácil. Como disse em um tópico anterior, só são feitas uma ou duas avaliações de cada disciplina. Geralmente, as provas valem 50% da nota e os trabalhos valem os outros 50%. Daí você pensa consigo mesmo: "Ah, vai ser moleza! Se só os trabalhos já valem a média, eu posso fazer bem os trabalhos e tirar uma nota qualquer na prova só pra complementar." Ledo engano. Os trabalhos valem sim 50% da nota, mas se você não fizer metade da prova, seus pontos dos trabalhos são simplesmente ignorados. Querem um exemplo? Eu fiz uma disciplina período passado e fiz apenas 3,5 de 10 pontos da prova (não me condenem, eu fui muito bem nas outras disciplinas). Então, eu precisava tirar 5,0 de 10 da prova para que os prontos dos trabalhos fossem acrescentados a minha nota final. O meu 5,0 na prova me garantiria um 2,5 na média final e seria essa média a que teria o acréscimo das notas do trabalho, que no meu caso foram 3 e alguma coisa. Se eu tivesse feito a metade da prova, teria tirado 2,5 + 3,5 = 6 e sido aprovada na disciplina. Como só fiz 35% da prova, fiquei com 3,5 na disciplina e agora vou ter que fazer prova final. 
Outra coisa importante a mencionar, se a disciplina tiver duas provas no semestre e você não conseguir acertar metade de qualquer uma das provas, você já está de prova final para repor aquela nota. As notas de provas não são somatórias para conseguir os 50%. Supomos que você tem duas provas, cada uma valendo 3 pontos na média final da disciplina. É necessário fazer 5 de 10 (valor de cada prova individualmente) pontos na primeira e 5 de 10 pontos na segunda. Ou seja, 1,5 de 3 (valor de cada prova na média final da disciplina) pontos da primeira prova e 1,5 de 3 pontos na segunda. Nada de fazer 1 ponto de 3 na primeira e 2 pontos de 3 na segunda prova. Deu pra vocês entenderem? 
No meu caso, por ser intercambista, poderei fazer a prova final antes de voltar para o Brasil, mas os alunos daqui só farão as provas finais no final do verão, em setembro, antes de começarem as aulas do ano seguinte de curso. O que significa que eles teriam que estudar durante as férias e já começariam o ano cansados.
Uma coisinha mais, todas as provas, após saírem os resultados, têm um dia marcado para reunião dos alunos e professores para revisar as questões e suas respostas corretas.


Para os possíveis estudantes de enfermagem
O estilo das provas varia de curso para curso e de disciplina para disciplina. Mas para o caso de alguém por aí vir fazer enfermagem por aqui, explico um pouco de como são as minhas provas. Em geral, as provas são divididas em duas partes. Uma objetiva com no mínimo 30 questões (fiz uma com 45 e minha última teve 60) e uma subjetiva que varia no número de questões. Pode ser um caso clínico apenas com três ou quatro perguntas sobre ele ou até 5 questões de casos clínicos diferentes ou perguntas específicas do conteúdo. São duas horas de prova e você tem uma hora para responder a parte objetiva, marcando os quadradinhos numa folha, como no vestibular. Você pode deixar quantas quiser em branco e só vai perder o ponto que aquelas questões valem. Se você responder errado, entretanto, sua resposta errada vai eliminar pontos das respostas corretas. Quantas erradas eliminam uma certa vai depender do seu professor. Depois que você termina e entrega sua prova objetiva é que você pode receber e responder sua prova subjetiva. Mais uma hora para respondê-la.

Minha última prova foi uma loucura! A disciplina era Enfermería en Situaciones Complejas, envolvendo todo tipo de situações de urgência e emergência que você imaginar. Eram 60 questões de marcar e a parte de escrever nós só sabíamos que seria caso clínico. A maior preocupação era como nós conseguiríamos responder 60 questões em 60 minutos. O que nós não esperávamos era que a professora entregasse primeiro a prova subjetiva, que ela contivesse quatro questões de caso clínico e que nós teríamos apenas 15 minutos para respondê-la inteira. As quatro questões em 15 minutos!!! Depois dessa, responder 60 questões de marcar em uma hora foi fichinha. Deu tempo até revisar! Melhor preparação que essa para um vestibular, caso eu ainda fosse fazer algum, não teria. 

Saí da prova sem ter certeza se tinha ido bem, mas com o pensamento positivo, acreditava que conseguiria fazer mais da metade da prova e evitar outra final. E consegui, graças a Deus! Depois fiquei me deliciando do fato de que foi uma ideia incrível a professora fazer a prova dessa forma. Afinal, eram urgências e emergências e a gente precisaria ser rápido ao lidar com as situações caso estivéssemos no hospital. O lado legal da história a parte, foi difícil!! rsrsrs


Ufa, terminei a primeira parte sobre esse post. Espero que vocês tenham gostado e que tenha tirado um pouco suas dúvidas.

Hasta pronto o/

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Treinando o espanhol


Tenho que confessar que estou muito relaxada quanto à isso... Talvez por ainda ter na cabeça um pouco daquele mesmo pensamento que todo brasileiro tem: "Espanhol é muito fácil. Eu sei falar espanhol".

Os brasileiros pensam assim porque, sem muito esforço, conseguem entender grande parte de um diálogo em espanhol. O fato é que a maioria não consegue reproduzir. Entende-se por reproduzir: saber como se fala, saber falar, saber escrever.

O espanhol é realmente muito parecido com o português... Mas para uma pessoa de língua nativa como o inglês ou o russo é praticamente tão difícil de aprender quanto o próprio português! Sim, nós sabemos que nossa língua é uma língua difícil de aprender.

Assim como o português, o espanhol tem uma ampla variação de conjugações. Junta-se a isso o fato de que as orações não são compostas da mesma forma do português! Citando um exemplo simples, em espanhol o correto é dizer "a mi me gusta" tal coisa... Se formos analisar do ponto de vista do português o "mi" e o "me" juntos seriam um grande pleonasmo... Como dizer em português algo como "'na minha opinião, eu acho que' ela deveria terminar com o namorado"...

E você aí, que pensa que sabe falar espanhol, quero ver você tendo uma conversa com alguém que tem espanhol como língua nativa. Claro que vocês vão conseguir se entender, claro... Ele vai falar uma porção de coisas que você vai deduzir serem tais coisas pela semelhança entre suas línguas. E você vai falar uma porção de coisas erradas e ele vai entender exatamente pelo mesmo motivo.

O que nós estamos discutindo aqui não é a capacidade de comunicação e de falar o portunhol de ninguém. Falamos aqui sobre ser fluente, conhecer as expressões, as estruturas das frases, falar rápido como eles e conseguir enteder tudo o que eles falam com tamanha pressa.

Não sou expert em espanhol, gente. Ando bem longe disso e não é modéstia. Eu não sou fluente. Não mesmo. Mas todo o contato que já tive, e ainda tenho, com o espanhol me permitiu entender que, embora seja bastante parecido com o português, apenas escutar Laura Pausini em espanhol uma vez na vida não te faz o sabidão da língua espanhola...

Então, mostro aqui, rapidamente, o que eu faço ou já fiz pra treinar meu espanhol...

1. Ser a melhor aluna de línguas da sala de aula...

Não estou me gabando, não. O que eu quis dizer é que sempre fui a que tive mais interesse em aprender línguas, então eu era a que SEMPRE prestava atenção em todas as aulas, respondia desesperadamente todos os exercícios e que consequentemente dava pesca pra todo mundo no dia da prova de espanhol ou inglês. As aulas ajudam muito, principalmente na parte de gramática...



2. Escutar músicas...

Eu amo essa música da Laura. Na verdade eu amo todas da Laura!
Vai lá, te desafio a traduzir o refrão dela.. lá nos comentários! :D

Isso é algo que todo mundo que está aprendendo uma língua nova costuma fazer para se familiarizar com as pronúncias. Só que eu não me detenho a escutar. Eu costumo aprender a letra da música inteira e procurar pela sua tradução... Então, eu escuto a música, tento entender tuudo o que ela diz e depois vou ver se entendi certinho.


3. Assistir novelas mexicanas...

Eu ando "re-viciada" nessa novela ultimamente. Assisti quando tinha uns 12 anos e
não perdia um episódio. Deixo aqui a cena mais esperada da novela "A Madrasta".
Nessa novela, eles não falam tão rápido!


Não me julguem! "A usurpadora" foi a paixão da vida noveleira de muita gente. Mas claro, não adianta assistir dublada. Eu assisto sem dublagem e sem legenda. Porque é fácil? Sim, porque é fácil. Mas também porque ao longo dos 7 anos durante os quais tive contato com o espanhol, me adaptei com a velocidade com a qual eles falam e consigo entender 90% de tudo o que dizem. E como eu disse antes, isso não quer dizer exatamente que eu saiba reproduzir.


4. Ler em espanhol...



Eu vou confessar que acho muito muito chatinho ler livros e textos em espanhol. Mas é necessário... Certa vez tentei ler um romance beeem antigo chamado "Doña Bárbara", cuja história me encanta, mas fui parada pela minha ignorância. Não consegui entender quase nenhuma frase direito, porque a linguagem era rebuscada demais, palavras utilizadas no início do século XX...


5. Visitar sites com "aulas" de espanhol...

Essa era uma das novidades que tinha pra falar dos e-mails que recebi. O CsF disponibilizou gratuitamente 3 meses de aula online no Instituto Cervantes. Eu já comecei as aulas, mas, por enquanto, elas andam fraquinhas. Sites com material grátis e muito bons também são: livemocha (realmente maravilhoso; você pode aprender diversas línguas lá e interagir com outras pessoas) e o buusu.


6. Pensar em espanhol...

Parece loucura mas é muito eficiente. Quando você tenta pensar na língua, acaba descobrindo as palavras em português que você não sabe falar naquela língua e isso te deixa ciente sobre o que você deve estudar.


7. Conversar com alguém que tenha a língua como idioma nativo...


Eu mesma consigo encontrar os erros que cometi no pouco que falei na
conversa acima. Agora tô com vergonha de errar tanta besteira. 
(Besitos tronados para ti, Carmen!)  Quem consegue identificar?


Isso pode ser um pouco mais difícil para alguns. Eu tenho alguns amigos do México, da Argentina e etc com os quais eu falo, por internet, constantemente. E isso ajuda bastante. Eles podem te corrigir sempre que você errar algo e você pode aprender sobre a gramática vendo o que eles escrevem pra você no bate-papo.


Esse post ficou imenso e, por isso, termino ele aqui... Espero que as dicas possam ajudar alguém. E lembrem-se, claro, de que nada substitui um bom livro de espanhol. Devore seus livros do ensino médio e isso vai facilitar pra você em 50%... E dependendo de para onde você vai, não se esqueça de que cada país tem suas peculiaridades linguísticas, mesmo falando o mesmo idioma. Espero não ter problemas na Espanha por causa do meu espanhol mexicano! rsrs

Até breve...

Ps.: Coloquei na pesquisa do we heart it "spanish book" e me aparece um livro escrito em português! rsrsrs Tenho que anotar isso na minha lista de "Coisas para ensinar sobre o Brasil". Poxa, nós falamos português, caramba!

sábado, 21 de julho de 2012

Sobre como fica minha situação acadêmica

Como todo mundo sabe, os professores das Universidades Federais estão em greve. O meu 5° período acadêmico foi interrompido faltando pouco mais de um mês para encerrarem as aulas. Então, estou de "férias" desde o finalzinho de maio. Nem preciso dizer que tenho sido completamente inútil todo esse tempo, né?!

No dia 16 de julho tivemos - nós, selecionados da UFPI para o CsF - uma reunião com a Pró-Reitora da universidade, onde ela nos explicou tudinho sobre o programa e sobre duas coisas que acredito terem sido o ponto alto de toda a reunião.

Como vai ficar a situação dos alunos que, devido à greve, tiveram seus estudos interrompidos, caso não dê tempo de terminar o período antes da viagem? Qual será o aproveitamento de disciplinas e das atividades feitas no exterior quando voltarmos do intercâmbio?

Para ambas as perguntas, a resposta foi satisfatória. Caso não consigamos terminar o período antes de viajar, entraremos com um pedido de trancamento especial de disciplinas. Quando voltarmos, as atividades serão continuadas de onde paramos

Em relação ao aproveitamento das disciplinas, foi esclarecido que todas as atividades feitas no exterior poderão ser devidamente validadas quando voltarmos. Entretanto, isso só poderá ser feito caso a carga horária da disciplina e o plano de curso da mesma sejam compatíveis com as da disciplina correspondente aqui no Brasil...



 
Então, trancarei o restinho do meu 5° período e os dois próximos períodos (6° e 7°). Cursarei lá as disciplinas correspondentes as que eu cursaria aqui no 6° e 7° períodos e, quando voltar, validarei as disciplinas e terminarei o quinto período aqui mesmo. Se tudo der certo do jeitinho que planejo, provavelmente conseguirei voltar para o Brasil e continuar com a mesma turma que tenho agora. Minha turminha é realmente muito boa e todo mundo é muito legal. Eu não queria ter que deixá-los.

Bem, é basicamente isso. 

Até breve...


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